top of page

Por que parece mais difícil de lidar com a dor emocional do que com a dor física?

  • Foto do escritor: Thalita Helena Vecchio
    Thalita Helena Vecchio
  • 25 de fev.
  • 2 min de leitura

Essa pergunta surgiu a partir de uma paciente e me fez refletir.


E, como acontece com muitas perguntas que nascem do setting terapêutico, ela não falava apenas dela. Falava de todos nós.



Vivemos em uma cultura que aprende cedo a reconhecer e legitimar a dor física.

Quando alguém adoece fisicamente, existem exames, laudos, imagens e diagnósticos.

O sofrimento é visível, mensurável e comprovável.

Diante disso, a empatia costuma surgir quase automaticamente.

As pessoas entendem, acolhem, oferecem ajuda e respeitam limites.


Com a dor emocional, a lógica muda.

Ela é subjetiva, não aparece em exames, não sangra e não pode ser fotografada.

Se manifesta em sentimentos, comportamentos, silêncios, reações intensas ou retraimentos profundos. Justamente por isso, muitas vezes é colocada em dúvida.


Quem sofre emocionalmente escuta com frequência, de forma explícita ou silenciosa, que deveria ser mais forte, mais grato, mais racional ou mais resiliente.

Como se o sofrimento psíquico fosse uma falha pessoal ou um defeito de caráter, e não uma expressão legítima da experiência humana.


Enquanto a doença física costuma convocar cuidado, a dor emocional frequentemente convoca correção.


A dor emocional não afeta apenas quem a sente, mas mobiliza quem está por perto.

Ela pede escuta, presença e implicação, muitas vezes exigindo contato com a própria vulnerabilidade e nem sempre esse é um lugar confortável. Julgar, minimizar ou tentar corrigir o sofrimento alheio, muitas vezes, é uma forma de defesa.


Não é raro ouvir de pessoas em sofrimento emocional frases como: “Eu não sou normal.”


Mas o que seria normal quando falamos da subjetividade humana?

Parafraseando a canção da Marisa Monte, todos nós temos nossos "infinitos particulares" e formas únicas de perceber, experimentar e expressar o mundo a nossa volta.


A ideia de "normalidade emocional" costuma ser um ideal inalcançável.

O sofrimento psíquico não indica inadequação, indica humanidade e que algo está sendo vivido, sentido e atravessado.


A dor emocional não precisa ser explicada para ser legítima, nem precisa ser visível para ser real e muito menos precisa ser corrigida para ser acolhida.


A psicoterapia oferece um lugar onde a dor subjetiva pode existir sem julgamento, onde não é preciso performar normalidade, onde sentir não é errado.


Nos atendimentos é perceptível que, muitas vezes, o que mais machuca não é a dor que a pessoa sente, mas a solidão de senti-la sem testemunha.

 
 
E-MAIL
thalita.vecchio@implvef.com.br
Telefone (21)96656-6485
Endereço Av. Franklin Roosevelt 39 - sala 1015 Centro - Rio de Janeiro - RJ
Próximo ao Metrô Cinelândia
Psicóloga
CRP 05/80589
bottom of page