Entre a repetição e a escolha
- Thalita Helena Vecchio
- 24 de jun. de 2025
- 1 min de leitura
Atualizado: há 2 dias

Alguns padrões de sentimentos, pensamentos e comportamentos se mantêm por muito tempo não porque fazem bem, mas por serem familiares.
Eles organizam a forma como a pessoa se relaciona, reage e se posiciona mesmo quando geram sofrimento.
Enquanto esses padrões não são percebidos, seguem operando como “jeito de ser”.
Quando começam a ser vistos, podem incomodar.
Esse incômodo aparece, com frequência, nas relações: conflitos que se repetem, afastamentos frequentes, dificuldades de confiar, de se posicionar ou de sustentar limites são alguns dos sinais de que algo conhecido continua sendo repetido, mesmo sem trazer bons resultados.
O que se manifesta como comportamento é apenas a parte visível dos padrões. Por trás dela podem existir medos, tentativas de proteção, lealdades implícitas à história familiar e aprendizados precoces sobre amor, abandono, controle ou pertencimento.
Perceber esses padrões transforma o funcionamento automático em escolha, o que pode gerar resistências.
Abrir mão de certos padrões não é simples, porque eles ofereceram, em algum momento, previsibilidade, sensação de segurança ou pertencimento. Mesmo quando machucam, ainda cumprem uma função.
O custo de permanecer nesses padrões tende a aparecer aos poucos em relações que se fragilizam, sensação de estagnação, conflitos que se repetem, dificuldades em construir novos vínculos e escolhas mais conscientes.
Quando esses sinais surgem, não se trata de “corrigir” um comportamento isolado, mas de ampliar a compreensão sobre o que ele sustenta e a possibilidade de ressignificar a própria história.
A consciência não obriga a mudar, mas torna possível decidir se faz sentido continuar vivendo no automático.
É nesse ponto que a repetição começa a se transformar em escolha e que processos reais de mudança podem, de fato, se iniciar.


